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Por dentro do Venture Capital

Venture capital é investir em empresas emergentes: jovens, pequenas e com potencial de crescer muito. Este guia mostra como pensa quem investe nesse mercado.

O que é venture capital

Investir em empresas emergentes, em troca de uma participação, e ganhar se elas crescerem.

O investidor coloca capital numa empresa jovem e recebe uma participação. Se a empresa crescer, essa participação passa a valer mais, e o ganho se realiza quando ela é vendida, numa aquisição ou numa abertura de capital.

1
O investidor aporta capital
Numa empresa jovem, ainda pequena, em troca de uma participação.
2
A empresa cresce
O dinheiro financia produto, time e vendas. Novas rodadas trazem mais capital.
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A participação passa a valer mais
Se a empresa tem sucesso, o valor da participação sobe, mesmo diluída.
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O ganho se realiza na saída
Numa aquisição, na venda a outro investidor ou numa abertura de capital.

As cinco perguntas do investidor

Antes de investir, quem faz venture capital procura responder a cinco perguntas. Elas mostram como esse investidor pensa.

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O que estou comprando?
Uma participação, em geral pequena, numa empresa jovem que ainda está provando que o negócio funciona. Quase sempre ela tem pouca receita, ou nenhuma, então o preço reflete uma aposta no futuro, e não o que a empresa vale hoje pelos números. Por isso quem investe compra, antes de tudo, o time: a capacidade dos fundadores de aprender rápido, vender e se adaptar. A participação pode vir como ações ou quotas, ou como um instrumento que vira participação mais tarde, como o mútuo conversível. Além do percentual, o investidor costuma receber direitos, como informações periódicas e prioridade em certas situações.
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De onde vem o retorno?
Quase sempre de uma saída: quando a empresa é comprada, quando outro investidor compra a participação ou quando ela abre capital. Até lá, a startup costuma reinvestir tudo e não distribui lucro. O ganho é a diferença entre o que foi pago e o que a participação vale na saída, já considerando a diluição das rodadas seguintes. Numa carteira de venture capital, esse resultado costuma depender de poucos casos muito bem-sucedidos, que precisam compensar os que não deram certo.
3
Quanto tempo preciso esperar?
Costuma ser um prazo longo, de vários anos, às vezes mais de 7 anos. O dinheiro fica parado nesse período: a participação de uma empresa fechada não tem cotação diária e não é fácil de vender. Mesmo uma empresa que vai bem pode levar anos até uma saída acontecer. Quem investe precisa estar preparado para não ter esse capital disponível e para acompanhar a empresa, em novas rodadas e decisões, ao longo do caminho.
4
Como eu saio?
Há três caminhos principais: a venda da empresa a outra companhia, a venda da sua participação a outro investidor (venda secundária) ou a abertura de capital na bolsa. Nenhum é garantido. A saída depende do momento do mercado, do interesse de compradores e do que ficou combinado entre os sócios, como as regras que permitem vender junto com os fundadores (tag along). Por isso, antes de entrar, o investidor lê o contrato e se pergunta quem poderia comprar aquela empresa no futuro.
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O que pode dar errado?
Muita coisa. A empresa pode não encontrar mercado, ficar sem caixa ou perder os fundadores, e nesse caso o capital investido pode ser perdido por completo. Novas rodadas diminuem a participação de quem já entrou (diluição). Também pode ser difícil vender, mesmo com a empresa viva, e os direitos de cada investidor podem ser diferentes. Por isso o venture capital é uma classe de maior risco, para quem pode manter o dinheiro parado por muito tempo e aceita perder parte dele.

Histórias de quem entrou cedo

Três casos reais mostram o caminho de ponta a ponta: o investidor entra quando a empresa ainda é pequena e sai anos depois, quando ela cresceu. São casos excepcionais: a maior parte das startups não chega a esse porte.

Facebook: o primeiro cheque

O que mostra: Quem entra muito cedo paga um valor baixo pela participação, e o ganho só vem anos depois, numa saída.

2004
Peter Thiel, primeiro investidor externo, compra 10,2% da empresa por US$ 500 mil, o que a avaliava em US$ 4,9 milhões.
2005
A Accel lidera uma rodada de US$ 12,7 milhões.
2012
Na abertura de capital, Thiel vende 16,8 milhões de ações por US$ 638 milhões. Meses depois, vende quase todo o restante, somando mais de US$ 1 bilhão.

Uber: duas rodadas bem cedo

O que mostra: Rodadas cedo, com avaliações pequenas diante do valor final. Mas a abertura de capital ficou abaixo das primeiras expectativas, que chegaram a falar em US$ 120 bilhões: a saída também depende do momento do mercado.

2010
A First Round Capital lidera um aporte de US$ 1,25 milhão, com avaliação de US$ 4 milhões antes do investimento.
Fev. 2011
A Benchmark lidera uma rodada de US$ 11 milhões que avalia a empresa em US$ 60 milhões. A imprensa estimou a participação em cerca de 18%.
2019
A Uber abre capital a US$ 45 por ação, com valor de mercado de cerca de US$ 82 bilhões considerando todos os papéis.

Nubank: o caso brasileiro

O que mostra: Quem entrou na rodada seed viu a participação crescer por mais de oito anos até a abertura de capital. Mas o preço depois da estreia também oscila: as ações caíram abaixo do preço do IPO e só o superaram depois de mais de dois anos. Valores e datas das primeiras rodadas variam entre as fontes.

2013
A Sequoia Capital e a Kaszek Ventures fazem a primeira rodada, a seed, de cerca de US$ 2 milhões. A Sequoia aportou US$ 1 milhão, segundo a Money Times.
2015–2016
Novas rodadas trazem outros fundos, como Tiger Global e Founders Fund.
Jun. 2021
A Berkshire Hathaway investe US$ 500 milhões, avaliando a empresa em US$ 30 bilhões.
Dez. 2021
A Nubank abre capital na Bolsa de Nova York a US$ 9 por ação, capta cerca de US$ 2,6 bilhões e é avaliada em US$ 41,5 bilhões. Na estreia, o valor de mercado chega a quase US$ 52 bilhões.
Antes da abertura
A participação da Sequoia, que entrou com US$ 1 milhão em 2013, foi estimada pela imprensa em cerca de US$ 8,3 bilhões.

A carteira de venture capital na prática

Um exemplo com números fictícios, para entender como poucos acertos compensam muitas perdas.

Um investidor aplica R$ 300 mil em cada uma de 20 empresas, total de R$ 6 milhões. Anos depois, os resultados são muito diferentes entre si.

O que aconteceu com cada empresa
Empresas
Valor devolvido
Perderam todo o capital
10
R$ 0
Devolveram o valor investido (1 vez)
3
R$ 900 mil
Devolveram 3 vezes o valor investido
4
R$ 3,6 milhões
Devolveram 10 vezes o valor investido
2
R$ 6 milhões
Devolveram 35 vezes o valor investido
1
R$ 10,5 milhões
Total da carteira
20
R$ 21 milhões

No total, a carteira devolve R$ 21 milhões, ou 3,5 vezes o investido, mesmo com metade das empresas perdendo tudo. Mas o resultado depende de poucos casos: sem a melhor empresa, o total cai para R$ 10,5 milhões (1,75 vez). Sem as três melhores, são R$ 4,5 milhões, abaixo dos R$ 6 milhões investidos.

Números fictícios e simplificados, sem considerar prazo, custos, impostos ou novas rodadas. Não representam o resultado de nenhuma carteira, e muitas carteiras não alcançam esse resultado. Há risco de perda parcial ou total do capital.

Palavras que você vai ouvir

Rodada
Cada vez que a empresa recebe capital de investidores em troca de participação.
Seed
Primeira rodada formal de uma startup, quando ela ainda está provando o modelo.
Série A
Rodada seguinte, para empresas que já têm alguma tração e querem escalar.
Avaliação (valuation)
Quanto a empresa vale numa determinada rodada. Define que percentual o investidor recebe pelo capital.
Participação
A fatia da empresa que pertence a cada sócio ou investidor.
Diluição
A redução do percentual de quem já é sócio quando entram novos investidores.
Cap table
A tabela que mostra quem são os sócios da empresa e quanto cada um possui.
Saída (exit)
O momento em que o investidor vende a participação e realiza o ganho, ou a perda.
Abertura de capital (IPO)
Quando a empresa passa a ter ações negociadas em bolsa.
Unicórnio
Startup avaliada em US$ 1 bilhão ou mais.

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Conteúdo educativo, sem recomendação de investimento. Os casos citados são históricos, não representam o resultado típico de investimentos em startups e não garantem resultados futuros. Valores e datas vêm das fontes indicadas e devem ser conferidos nelas. O investimento em empresas emergentes envolve risco, inclusive de perda total do capital.

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