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Por dentro do Media for Equity

Para emissoras e criadores de conteúdo.

Media for equity é trocar mídia por participação no capital de uma empresa. Este guia mostra como pensa quem investe com mídia: a emissora que usa o seu inventário e o criador de conteúdo que usa a sua audiência.

O que é media for equity

Pagar, ou ser pago, com participação: a mídia vira sociedade.

A empresa recebe espaço de mídia ou divulgação e entrega, em troca, uma participação no capital. Quem cede a mídia passa a ser sócio. Nasceu entre startups, que têm menos caixa para publicidade, e hoje também atrai empresas maduras.

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A empresa precisa de mídia
Mas não tem caixa para pagar a publicidade que quer fazer.
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Uma emissora ou um criador cede mídia
Espaço do inventário, no caso da emissora, ou divulgação nas redes, no caso do criador.
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Recebe participação em troca
Passa a ser sócio da empresa, em vez de receber dinheiro.
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A saída realiza o ganho
Se a empresa crescer, a participação vale mais e é vendida numa aquisição ou abertura de capital.

Dois protagonistas

Segundo um estudo da FGV, empresas tradicionais usam o inventário ocioso como moeda para comprar participações, e o mesmo acontece com influenciadores, que trocam publicidade nas redes por fatias de negócios.

Destaque 1
Emissoras e donos de mídia
O que traz
O inventário de mídia: os espaços de publicidade que têm para vender, parte deles sem comprador.
O que recebe
Participação no capital de empresas, em vez de dinheiro pela publicidade.
O que observar
Como a mídia é avaliada, o conflito de interesse editorial e o risco de a empresa não dar certo.
Destaque 2
Criadores de conteúdo e influenciadores
O que traz
Audiência, engajamento e credibilidade junto ao público.
O que recebe
Participação no negócio, no lugar de parte do cachê, em geral liberada depois de metas.
O que observar
Risco de reputação, identificação da publicidade e o que acontece com a participação se a parceria acabar.

As cinco perguntas do investidor

Antes de aceitar participação em troca de mídia, quem investe com mídia procura responder a cinco perguntas. As respostas mudam um pouco para a emissora e para o criador.

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O que estou recebendo como pagamento?

Emissoras: Uma participação no capital de uma empresa, em vez de dinheiro pela publicidade. Em troca, a emissora cede espaço do seu inventário de mídia, isto é, os espaços de publicidade que tem para vender. Parte desse espaço costuma ficar sem comprador, então o media for equity é uma forma de transformar um ativo ocioso em participação.

Criadores: Uma participação no negócio, no lugar de parte do cachê. O criador cede o que tem de mais valioso: audiência, engajamento e credibilidade junto ao público. Em muitos casos, a participação só é concedida depois de um período e de metas cumpridas.

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Como a mídia é avaliada?

Emissoras: É o ponto mais delicado. A mídia tem um preço de tabela, mas quase ninguém a compra por esse valor, e o custo real de ceder um espaço que ficaria vazio é bem menor. Por isso o valor convertido em participação costuma ser negociado com desconto sobre a tabela, e precisa estar claro no contrato, junto com a avaliação da empresa.

Criadores: O valor depende da audiência, do engajamento e, principalmente, da capacidade de gerar vendas. Por isso é comum medir resultados, como engajamento e conversão, antes de liberar a participação.

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De onde vem o retorno?

Emissoras: De duas fontes: da monetização de um espaço que talvez ficasse sem uso e, mais adiante, da valorização da participação, quando a empresa é vendida ou abre capital. Até lá, a empresa quase nunca distribui lucro.

Criadores: Da valorização da participação numa saída, e não do cachê. É a ideia de deixar de vender só audiência e passar a construir patrimônio. O retorno só aparece se a empresa crescer e houver uma saída, o que pode levar vários anos.

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Como eu saio?

Para os dois: Há três caminhos principais, como no venture capital: a venda da empresa, a venda da participação a outro investidor ou a abertura de capital. Nenhum é garantido. Para quem recebe a participação aos poucos, é essencial saber o que acontece se a parceria acabar antes do fim do prazo: se parte da participação se perde, se pode ser vendida e em que condições. Um contrato bem feito prevê tudo isso.

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O que pode dar errado?

Para os dois: A empresa pode não dar certo e a participação não valer nada, enquanto a mídia já foi entregue e não volta. A mídia pode ter sido avaliada alto demais e a participação recebida ser pequena demais. Os fundadores podem ser diluídos nas rodadas seguintes. Também pode ser difícil vender.

Para criadores: Há um risco de reputação: ser sócio e rosto de uma empresa liga o seu nome a ela, inclusive quando ela enfrenta problemas. E há regras de publicidade: o público precisa saber da relação, a divulgação deve ser identificada como publicidade e a participação cria um conflito de interesse que precisa ser transparente. Por isso o contrato deve ser revisado por um advogado.

Emissoras: Quintal Ventures e Moni Capital

Dois grupos de comunicação regionais criaram veículos para investir em empresas usando a mídia como parte do aporte.

Quintal Ventures: a emissora do Paraná com veículo próprio

Parceira: Westwood, no desenvolvimento dos negócios

O que mostra: Uma emissora regional pode criar o próprio veículo e usar o inventário como parte do aporte, escolhendo empresas com ligação com a sua região.

2022
O Grupo RIC, que retransmite a Record e a Jovem Pan no Paraná, cria a Quintal Ventures. O plano é aplicar R$ 10 milhões em cerca de 10 empresas em estágio bem inicial ao longo de cinco anos, com cheques de R$ 100 mil a R$ 500 mil.
Modelo
Além do dinheiro, os aportes incluem espaço de publicidade nos canais do grupo: é o media for equity.
2024 e 2025
A Quintal participa de rodadas ao lado de outros investidores, como as de Plano e Beeviral.
2025
Um relatório da LAVCA destaca a Quintal Ventures como uma das operações de corporate venture mais presentes no ecossistema de Curitiba.

Moni Capital: o Grupo ND leva o modelo a Santa Catarina

Parceira: Westwood, no desenvolvimento dos negócios

O que mostra: O modelo se repete em outros estados: cada grupo de mídia regional cria o seu veículo e atrai empresas da própria região.

2025
A Westwood chega a Santa Catarina com acordo com o Grupo ND, e a Moni Capital, veículo do grupo, passa a oferecer media for equity.
Mídia
O Grupo ND reúne veículos como a NDTV Record, o portal ND Mais e o Jornal ND, que entram como mídia nos aportes.
Foco
A expectativa é ampliar os investimentos em empresas de tecnologia com potencial de crescimento acelerado no estado.
Rodadas
A Moni Capital participou, junto com a Quintal Ventures e a Valora Ventures, da rodada da Guia da Alma.
A Westwood como parceira

A Quintal Ventures e a Moni Capital contrataram a Westwood como parceira de originação e de desenvolvimento dos negócios.

A Westwood busca, analisa e estrutura as oportunidades para os dois veículos e atua no desenvolvimento dos negócios das empresas investidas. As emissoras entram com o que têm de mais forte: a mídia.

Vantagens para a emissora
Oportunidades qualificadas

A emissora recebe empresas já selecionadas, sem montar uma equipe própria para buscar startups.

Análise e estruturação

Avaliação da empresa e da mídia, due diligence e contratos, com quem faz isso todos os dias.

Mídia no lugar certo

A escolha das empresas considera se a mídia da emissora realmente ajuda cada negócio a crescer.

Coinvestimento

Os aportes podem ser feitos ao lado de outros fundos e investidores, o que divide o risco.

Acompanhamento depois do aporte

Mentoria, conexões estratégicas e governança para as empresas do portfólio.

Reputação protegida

Uma curadoria cuidadosa reduz o risco de associar a marca da emissora a empresas com problemas.

Criadores: o caso de Ryan Reynolds

Um exemplo conhecido de criador que deixou de ser só o rosto da publicidade e passou a ser dono de parte do negócio.

Ryan Reynolds: o criador que virou sócio

O que mostra: Um criador que vira sócio e rosto da marca passa a ganhar com o resultado da empresa, e não só com o cachê. É um caso extremo, de uma celebridade global, e os relatos falam em compra de participação, sem detalhar uma troca direta de mídia por equity.

2018
Reynolds compra uma participação, não divulgada, na Aviation American Gin e se torna o rosto da marca.
2019
Compra uma participação na Mint Mobile e aparece nos comerciais da empresa, na TV e nas redes sociais.
2020
A Diageo compra a Aviation num negócio de até US$ 610 milhões: US$ 335 milhões à vista e até US$ 275 milhões condicionados ao desempenho ao longo de dez anos. Reynolds mantém uma participação.
Mar. 2023
A T-Mobile compra a Mint Mobile por até US$ 1,35 bilhão, 39% em dinheiro e 61% em ações. Reynolds, que segue no papel criativo, teria cerca de 25%, segundo a imprensa.
Fontes: Fox Business · Forbes Austrália

O valor da mídia na prática

Um exemplo com números fictícios, para entender como a mídia vira participação e por que o resultado varia.

Uma emissora tem um espaço de mídia com preço de tabela de R$ 2 milhões. Depois de negociar, converte R$ 1 milhão desse espaço em participação numa empresa avaliada em R$ 10 milhões e passa a ter 10%. O que a emissora realmente abriu mão foi o custo de ceder um espaço que talvez ficasse vazio, bem menor que a tabela.

A empresa é vendida por R$ 100 milhões
A participação vale R$ 10 milhões
A empresa é vendida por R$ 8 milhões
A participação vale R$ 800 mil, menos que o R$ 1 milhão convertido
A empresa encerra as atividades
A participação vale R$ 0, e a mídia já foi entregue

Números fictícios e simplificados, sem diluição, impostos ou custos. Não representam o resultado de nenhuma empresa nem prometem retorno.

E para o criador? Imagine uma participação de 1% liberada em quatro parcelas de 25% ao longo de 24 meses, conforme as metas de vendas. Se o criador sair no mês 12, recebe só metade. Para quem cria conteúdo, a liberação aos poucos (vesting) protege a empresa e define quanto da participação o criador realmente conquista.

Exemplo fictício, para ilustrar a mecânica.

O que as regras de publicidade pedem

No Brasil, o Conar, que autorregula a publicidade, tem um guia para influenciadores. A divulgação feita com compensação ou relação comercial, ainda que não financeira, tende a ser tratada como publicidade, e precisa ser identificada de forma clara. Uma participação societária pode se enquadrar nessa relação.

A edição de 2026 do guia diz que a identificação deve ser clara, ostensiva, imediata e integrada ao conteúdo. Além disso, ser sócio de uma empresa que se divulga cria um conflito de interesse que o público precisa conhecer.

Informação geral e educativa. Cada caso deve ser revisado por advogado. Fontes: Meio & Mensagem · SMA Advogados

Palavras que você vai ouvir

Media for equity
Troca de mídia ou divulgação por participação no capital de uma empresa.
Inventário de mídia
Os espaços de publicidade que um veículo tem para vender, como intervalos de TV e rádio, ou anúncios em portais.
Valor de tabela
O preço de referência da mídia, que quase nunca é o valor efetivamente pago.
Permuta
Troca de bens ou serviços sem uso de dinheiro.
Vesting
Liberação da participação aos poucos, conforme prazos ou metas cumpridos.
Diluição
A redução do percentual de quem já é sócio quando entram novos investidores.
Cap table
A tabela que mostra quem são os sócios da empresa e quanto cada um possui.
Conflito de interesse
Situação em que o interesse financeiro de quem divulga pode influenciar o que ele diz.
Publicidade identificada
Divulgação em que fica claro para o público que há uma relação comercial, com termos como "publi".
Saída (exit)
O momento em que o investidor vende a participação e realiza o ganho, ou a perda.

É emissora, criador de conteúdo ou empresa e quer conversar?

Conheça como a Westwood atua em Media for Equity ou entre em contato para falar de parcerias.

Fale com a Westwood Media for Equity na Westwood

Conteúdo educativo, sem recomendação de investimento e sem aconselhamento jurídico. Os casos citados são recentes ou históricos, não representam o resultado típico de operações de media for equity e não garantem resultados futuros. Valores e datas vêm das fontes indicadas e devem ser conferidos nelas. A troca de mídia por participação envolve risco, inclusive de perda total do valor da mídia cedida.

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